Tragédia de Brumadinho atinge aldeia indígena Pataxó Hã-hã-hãe

 

 

“Às margens do rio Paraopeba vivem famílias remanescentes da tribo indígena Pataxó Hã-hã-hãe. Os rejeitos derramados na tragédia de Brumadinho tornaram o rio inóspito, deixando toda a região em estado de alerta.”

 

Após o desastre de Brumadinho que aconteceu na última sexta-feira, 25 de janeiro, não param de chover manchetes a respeito do acontecido. Até o presente momento são 99 mortos e 259 desaparecidos, e todo um país novamente comovido com a devastação provocada pelas mineradoras.

 

Na noite desta quarta-feira, 30, as Secretarias de Estado e Saúde, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Pecuária e Abastecimento do estado de Minas Gerais informaram em comunicado à imprensa que os rejeitos advindos do rompimento da Barragem Mina do Feijão atingiram o Rio Paraopeba, um dos maiores corpos hídricos da região e também afluente do rio São Francisco.

 

Segundo o comunicado as águas apresentam riscos à saúde humana e animal. Qualquer pessoa que tenha tido contato direto ou indireto com as águas deste corpo hídrico e que apresentarem enjôo, coceira, diarreia, tontura e quaisquer outros sintomas devem procurar as unidades de saúde. A advertência de risco estende-se a uma área de cem metros a partir da margem do rio.

 

Análises realizadas entre os dias 25 e 29 pelos órgãos competentes de biomonitoramento da região constataram valores 21 vezes acima do aceitável de chumbo e mercúrio, além de níquel, cádmio e zinco.

 

Contaminação e peixes mortos

 

 

Nas margens do Rio Paraopeba que banha grande parte da região metropolitana de Belo Horizonte vivem cerca de 25 famílias pertencentes à tribo Pataxó Hã-hã-hãe, da aldeia Naô Xohã que foram diretamente atingidas pelo desastre do rompimento da barreira que transformou as águas cristalinas do rio em um marrom lamacento.

 

A aldeia Naô Xohã, que fica na cidade de São Joaquim de Bicas, há 22km de Brumadinho, foi evacuada um dia após o rompimento, embora de acordo com autoridades os moradores tenham retornado ao local pouco tempo depois. Nesta segunda feira 28, em expedição fotográfica realizada pela agência Reuters Media, um grupo de indígenas foi registrado retornando às margens do rio, onde encontraram muitos peixes mortos.

 

De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), os moradores correm sério perigo retornando ao local tão próximo das águas contaminadas. A dúvida levantada pelo órgão indigenista é que o impacto foi tão grande à biota local que ainda não sabem como a aldeia irá sobreviver às margens de águas tão poluídas.

 

As famílias vivem do rio, de onde retiram alimento para sobreviver. Os peixes do rio são a base da dieta das 80 pessoas que moram na aldeia. A Funai visitou o local durante vistoria e informou em relatório que o rompimento da barragem não deixou feridos na aldeia mas vão monitorar a situação.

 

A calamidade que atinge a cidade de Brumadinho e também os índios Pataxós hã-hã-hãe ocorre no momento em que o atual governo do país sinaliza a possível redução de regulamentações exigidas para a mineração no Brasil, assim como a redução da proteção atualmente concedida às comunidades indígenas.

 

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