Uma entrevista com a artista visual Rafamon

 Hoje falaremos de um assunto que está na ordem do dia das cidades visto o momento caótico que vivemos em todo país para a arte e a cultura. Pronto, está dito: Grafite! Considerado uma das mais genuínas formas de arte urbana, o grafite é uma arte/política, iniciada no Brasil nos anos 1970 pelo artista Alex Vallauri como forma de protesto pela ditadura naquela época ainda vigente. Vallauri levou dos muros para camisetas, “bottons” e adesivos, a expressão que ele considerava a mais próxima do ideário de arte para todos. Do título de contravenção, o grafite cresceu e tomou conta não só dos muros, mas dos museus e galerias de todo mundo. Esse grito da rua, não pede licença: chega chegando, mostrando a que veio, embelezando e reaproveitando os espaços públicos com uma linguagem intencional para interferir na cidade. O grafite é um importante instrumento de comunicação, que corrobora e abre espaço para novas conceitos de belo, criando novos personagens sociais que mudam sim a história da cidade. Por traz de cada desenho, pode acreditar, tem uma voz querendo ser ouvida. Nós convidamos a artista visual mineira @RafaMon para dar “pitaco” nesse assunto. Rafa, que mora no Rio de Janeiro e já teve seu trabalho exposto em lugares como a Casa de cultura Lauro Alvim, em Ipanema, e já pintou até mesmo o bondinho do Pão de Açúcar, conta com muito bom humor que já trabalhou com figurino, produção de moda e design gráfico. Já foi de estilista a garçonete num bar na Bahia até que iniciou esse trabalho autoral, basicamente de ilustração em diversas superfícies. Segundo a artista, aos 36 anos ela se encontrou. Portal Mundo: Rafa, se apresente melhor pra gente: o que é arte pra você, o que ela provoca em você, como foi se descobrir artista? RafaMon: Sempre desenhei desde criança, quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, respondia: “sou artista”. Então posso dizer que arte pra mim sou eu. Portal Mundo:  Como você se define (ou não se define): ilustradora, grafiteira, artista visual…? RafaMon: Artista visual é o termo menos pior, acho. Os outros são mais limitantes. Portal Mundo: Qual sua opinião sobre a antiga decisão do João Doria em São Paulo de “calar” os grafites da cidade? Rafamon: Típica de alguém que não vive a cidade, que vai do condomínio fechado pro trabalho com ar condicionado e de lá pra algum restaurante onde tratam o sujeito como se fosse uma divindade. Berlim, que tem paredes muito mais antigas e carregadas de história e significado, é toda grafitada. O Dória é o típico pobre com dinheiro. Portal Mundo: Seu trabalho tem uma personalidade muito forte, com cores vibrantes e formas variadas, vimos intervenções suas em produtos de marcas importantes. Como anda o mercado de trabalho pros artistas? Como você enxerga o mercado de “street art” no Rio? Pergunto sobre a valorização do trabalho, sobre a abertura dos espaços e galerias pros “grafiteiros”. RafaMon: Está bom pra muita gente, grafiteiros de talento inclusive. Mas como todo produto que depende de uma avaliação subjetiva, que não pode ser precificado com precisão, o grafite está sujeito a distorções. Mas melhor que aconteça uma injustiça aqui e outra ali do que ter seu trabalho subestimado por preconceito.  Grafite de RafaMon em prédio no Rio de Janeiro  Portal Mundo: Sobre essas parcerias com marcas famosas, acompanhamos até a última, com a Adidas, que você ilustrou uma estampa exclusiva. Arte e moda andam juntas, qual sua relação com a moda? RafaMon: Sempre andaram juntas, quadros clássicos sempre foram usados como referência para estilistas, e roupas clássicas sempre inspiraram artistas em suas obras. Uma exposição de criações do Jean Paul Galtier tem tanto valor artístico quanto exposições de muitos candidatos a artista. Portal Mundo: O Grafite é um canal de comunicação conectando a cidade ao artista. Quando você ilustra um espaço, você sente que o desenho já não é mais seu e sim parte do espaço, sem proprietário? RafaMon: Claro, poucos exercitam tanto o desapego quanto os artistas de rua. Nossa arte está sujeita a erosão, a intervenção de outros artistas, a ação de prefeitos idiotas.Portal Mundo: Essa farra das culturas, fusão do asfalto com a periferia (pop!), faz com que o interesse por arte seja maior onde ela as vezes nem chega ou o preconceito com grafite ainda é muito grande? RafaMon: É grande, mas depois das reações favoráveis às ações do Dória estou quase achando que moro no paraíso do grafite. Portal Mundo: Nós sabemos que você é uma militante feminista, lugar de mulher é onde? RafaMon: É onde ela quiser, principalmente na rua, chutando bundas. Portal Mundo:  Sua posição política interfere no seu desenho? RafaMon: Minha posição política É o meu desenho, um não existe sem o outro. Portal Mundo: Você tem um movimento artístico ou artista que você é fã de carteirinha? Por quê? RafaMon: Sou muito fã de street arte de guerrilha, Banksy, intervenções urbanas radicais, com mensagem e coragem. Portal Mundo: Psicodelia pra você é… RafaMon: Tudo que ela quiser ser, é a falta de regras em forma de arte. A Rafaela Monteiro está em todas as redes sociais. Pra quem quiser acompanhar o trabalho dela, pagar uma cerveja gelada (ela vai ficar feliz!) e jogar papo fora é só seguir @RafaMon, no facebook e no instagram. E sobre os produtos que a Rafa ilustra? Lindos! Só acompanhar tudinho no @RafaMon que ela conta por onde estão.

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